
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
PAULO E ESTÊVÃO
DITADO PELO ESPÍRITO EMMANUEL
ROMANCE HISTÓRICO
EDITORA FEB (1941)
Canal Espírita Jorge Hessen
(Paulo e Estevão - 70 anos do Livro "Paulo e Estevão" psicografia de Chico Xavier/ Emmanuel)
Sinopse da obra:
Romance apontado por Chico Xavier como o mais belo e emocionante livro por ele psicografado. Recorda as lutas e testemunhas por que passou Paulo de Tarso na tarefa de divulgação do cristianismo.
Quem era Paulo de Tarso? Um fariseu fanático, obstinado perseguidor de cristãos e da nascente doutrina cristã? Ou um ser predestinado por determinação divina, que recebeu a dádiva da aparição de Jesus, em gloriosa visão às portas da cidade de Damasco, convertendo-se ao Cristianismo?
A leitura deste livro nos mostrará a grandeza de Paulo de Tarso. Corajoso, intrépido e sincero que, arrependido de uma postura radical que culminou no apedrejamento de Estêvão – o primeiro mártir do Cristianismo –, humildemente empreendeu acelerada revisão de conceitos e atendeu ao chamado de Jesus.
Entre perseguições, enfermidades, zombarias, desilusões, deserções de companheiros, pedradas, açoites e encarceramentos, transformou sua vida num exemplo de trabalho através de dezenas de anos de luta, empenhado em abrir igrejas cristãs e dar-lhes assistência. Em algum ponto da vida todos recebemos um chamado do Cristo. Que temos feito? PAULO E ESTÊVÃO fará você compreender como o amor apaga a multidão de faltas cometidas.
Introdução da obra:
Breve Notícia
Não são poucos os trabalhos que correm mundo, relativamente à tarefa gloriosa do Apóstolo dos gentios. É justo, pois, esperarmos a interrogativa: — Por que mais um livro sobre Paulo de Tarso? Homenagem ao grande trabalhador do Evangelho ou informações mais detalhadas de sua vida?
Quanto à primeira hipótese, somos dos primeiros a reconhecer que o convertido de Damasco não necessita de nossas mesquinhas homenagens; e quanto à segunda, responderemos afirmativamente para atingir os fins a que nos pro pomos, transferindo ao papel humano, com os recursos possíveis, alguma coisa das tradições do plano espiritual acerca dos trabalhos confiados ao grande amigo dos gentios.
Nosso escopo essencial não poderia ser apenas rememorar passagens sublimes dos tempos apostólicos, e sim apresentar, antes de tudo, a figura do cooperador fiel, na sua legitima feição de homem transformado por Jesus Cristo e atento ao divino ministério.
Esclarecemos, ainda, que não é nosso propósito levantar apenas uma biografia romanceada.
O mundo está repleto dessas fichas educativas, com referência aos seus vultos mais notáveis. Nosso melhor e mais sincero desejo é recordar as lutas acerbas e os ásperos testemunhos de um coração extraordinário, que se levantou das lutas humanas para seguir os passos do Mestre, num esforço incessante.
As igrejas amornecidas da atualidade e os falsos desejos dos crentes, nos diversos setores do Cristianismo, justificam as nossas intenções.
Em toda parte há tendências à ociosidade do espírito e manifestações de menor esforço. Muitos discípulos disputam as prerrogativas de Estado, enquanto outros, distanciados voluntariamente do trabalho justo, suplicam a proteção sobrenatural do Céu. Templos e devotos entregam-se, gostosamente, às situações acomodatícias, preferindo as dominações e regalos de ordem material.
Observando esse panorama sentimental é útil recordarmos a figura inesquecível do Apóstolo generoso.
Muitos comentaram a vida de Paulo; mas, quando não lhe atribuíram certos títulos de favor, gratuitos do Céu, apresentaram-no como um fanático de coração ressequido. Para uns, ele foi um santo por predestinação, a quem Jesus apareceu, numa operação mecânica da graça; para outros, foi um espírito arbitrário, absorvente e ríspido, inclinado a combater os companheiros, com vaidade quase cruel.
Não nos deteremos nessa posição extremista.
Queremos recordar que Paulo recebeu a dádiva santa da visão gloriosa do Mestre, às portas de Damasco, mas não podemos esquecer a declaração de Jesus relativa ao sofrimento que o aguardava, por amor ao seu nome.
Certo é que o inolvidável tecelão trazia o seu ministério divino; mas, quem estará no mundo sem um ministério de Deus? Muita gente dirá que desconhece a própria tarefa, que é insciente a tal respeito, mas nós poderemos responder que, além da ignorância, há desatenção e muito capricho pernicioso.
Os mais exigentes advertirão que Paulo recebeu um apelo direto; mas, na verdade, todos os homens menos rudes têm a sua convocação pessoal ao serviço do Cristo. As formas podem variar, mas a essência ao apelo é sempre a mesma. O convite ao ministério chega, ás vezes, de maneira sutil, inesperadamente; a maioria, porém, resiste ao chamado generoso do Senhor. Ora, Jesus não é um mestre de violências e se a figura de Paulo avulta muito mais aos nossos olhos, é que ele ouviu, negou-se a si mesmo, arrependeu-se, tomou a cruz e seguiu o Cristo até ao fim de suas tarefas materiais.
Entre perseguições, enfermidades, apodos, zombarias, desilusões, deserções, pedradas, açoites e encarceramentos, Paulo de Tarso foi um homem intrépido e sincero, caminhando entre as sombras do mundo, ao encontro do Mestre que se fizera ouvir nas encruzilhadas da sua vida.
Foi muito mais que um predestinado, foi um realizador que trabalhou diariamente para a luz.
O Mestre chama-o, da sua esfera de claridades imortais. Paulo tateia na treva das experiências humanas e responde: — Senhor, que queres que eu faça?
Entre ele e Jesus havia um abismo, que o Apóstolo soube transpor em decênios de luta redentora e constante.
Demonstrá-lo, para o exame do quanto nos compete em trabalho próprio, a fim de Ir ao encontro de Jesus, é o nosso objetivo.
Outra finalidade deste esforço humilde é reconhecer que o Apóstolo não poderia chegar a essa possibilidade, em ação isolada no mundo.
Sem Estêvão, não teríamos Paulo de Tarso. O grande mártir do Cristianismo nascente alcançou influência muito mais vasta na experiência paulina, do que poderíamos imaginar tão-só pelos textos conhecidos nos estudos terrestres. A vida de ambos está entrelaçada com misteriosa beleza.
A contribuição de Estêvão e de outras personagens desta história real vem confirmar a necessidade e a universalidade da lei de cooperação. E, para verificar a amplitude desse conceito, recordemos que Jesus, cuja misericórdia e poder abrangiam tudo, procurou a companhia de doze auxiliares, a fins de empreender a renovação do mundo.
Aliás, sem cooperação, não poderia existir amor; e o amor é a força de Deus, que equilibra o Universo.
Desde já, vejo os críticos consultando textos e combinando versículos para trazerem á tona os erros do nosso tentame singelo. Aos bem-intencionados agradecemos sinceramente, por conhecer a nossa expressão de criatura falível, declarando que este livro modesto foi grafado por um Espírito para os que vivam em espírito; e ao pedantismo dogmático, ou literário, de todos os tempos, recorremos ao próprio Evangelho para repetir que, se a letra mata, o espírito vivifica.
Oferecendo, pois, este humilde trabalho aos nossos irmãos da Terra, formulamos votos para que o exemplo do Grande Convertido se faça mais claro em nossos corações, a fim de que cada discípulo possa entender quanto lhe compete trabalhar e sofrer, por amor a Jesus Cristo.
Emmanuel
Pedro Leopoldo, 8 de julho de 1941
Antonio César Perri de Carvalho
Presidente da Federação Espírita do Brasil
70 anos da obra Paulo e Estêvão
Francisco Cândido Xavier completou a psicografia de Paulo e Estêvão no dia 8 de julho de 1941, quando Emmanuel assinou “Breve Notícia”, a apresentação da obra. Episódio histórico e curioso é que o citado livro foi psicografado por Chico Xavier numa saleta térrea da casa do Dr. Rômulo Joviano, na Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo (MG).
Por uma deferência do então administrador da fazenda e chefe de Chico Xavier, este foi contemplado com a oportunidade de utilizar a referida sala nos intervalos das refeições, evitando que se deslocasse até sua residência. Este episódio e, pelo fato dessa fazenda ter sido o local de trabalho do então funcionário do Ministério da Agricultura e também pela frequência assídua do médium à reunião semanal do “Evangelho no lar” na residência de Joviano, a Universidade Federal de Minas Gerais – atual responsável pela fazenda – criou o Espaço Cultural Chico Xavier.
Contando com as seguintes parcerias: Universidade, FEB e União Espírita Mineira, houve uma remodelação das dependências físicas e a inauguração ocorreu durante as comemorações do Centenário de Chico Xavier. O livro veio a lume no ano seguinte. Antes do lançamento da primeira edição de Paulo e Estêvão, ocorrido em julho de 1942, a revista Reformador já anunciava a obra em artigo de Ismael Gomes Braga: É uma biografia romanceada, do tipo das biografias modernas, mas diferente destas pela sua finalidade. [...]
No livro de Emmanuel os principais personagens nos traçam regras de conduta, abrem roteiro para a humanidade. (1) E o articulista vaticina: “Pela beleza da forma e elevação dos ensinos, é sem dúvida uma obra de grande futuro”. (1) No mês de lançamento da edição histórica, Alexandre Dias comentava que “as cenas e os cenários bem traçados, como a perfeito caracteres prendem a atenção do leitor”. (2) Pouco depois,Arnaldo Claro de S. Thiago opinava que “como romance histórico, de cunho realista, é de admirável tessitura; de um sabor clássico que agrada mesmo aos mais exigentes”. (3) Passadas sete décadas, o citado romance de Emmanuel é considerado, a obra-prima da psicografia de Chico Xavier e, dentre seus livros mediúnicos, coloca-se entre os mais editados pela FEB!
Esse livro traz grande contribuição para o entendimento das movimentações iniciais dos seguidores do Cristo – os “homens do Caminho” –, depois chamados cristãos, fato relatado pelo autor espiritual.
É uma portentosa obra para se entender a profundidade e a abrangência de Paulo de Tarso, apóstolo indireto, mas inegavelmente o maior discípulo do Cristo e responsável pelo assentamento das bases do Cristianismo em várias localidades do Império e na sua capital – Roma. Em “Breve Notícia”, texto que antecede e prepara o leitor para a obra, Emmanuel esclareceu:
[...] não é nosso propósito levantar apenas uma biografia romanceada. [...] Nosso melhor e mais sincero desejo é recordar as lutas acerbas e os ásperos testemunhos de um coração extraordinário, que se levantou das lutas humanas para seguir os passos do Mestre, num esforço incessante. (4) Estêvão faz juz por aparecer no título do livro, pois “sem Estêvão, não teríamos Paulo de Tarso. [...]
A contribuição de Estêvão e de outras personagens desta história real vem confirmar a necessidade e a universalidade da lei de cooperação”. O autor também revelou: Outra finalidade deste esforço humilde é reconhecer que o Apóstolo não poderia chegar a essa possibilidade, em ação isolada no mundo. [...] sem cooperação, não poderia existir amor; e o amor é a força de Deus, que equilibra o Universo.
No final, Emmanuel complementa: Oferecendo, pois, este humilde trabalho aos nossos irmãos da Terra, formulamos votos para que o exemplo do Grande Convertido se faça mais claro em nossos corações, a fim de que cada discípulo possa entender quanto lhe compete trabalhar e sofrer, por amor a Jesus-Cristo. (4) Em nossos dias há estudos que apontam: “[...] a conversão de Saulo se deu antes da primavera, ou seja, no primeiro trimestre do ano 36 D. C.”.(5) Após o alerta do inigualável encontro: “– Saulo!... Saulo!...
Por que me persegues?”, (6) surgiram momentos difíceis e delicados, de intensas lutas interiores e de humilhações, inclusive quando o ex-doutor da Lei procura a igreja do “Caminho” nos arredores de Jerusalém, as definições para os primeiros labores apostólicos, as polêmicas sobre a abrangência do trabalho e da difusão do Cristianismo.
Paulo superou as tendências judaizantes de alguns apóstolos e partiu para a disseminação da mensagem e da vivência cristãs junto à gentilidade. (7) Além de ser o fundador e estimulador de centenas de núcleos cristãos, inovou ao redigir as epístolas: – Não te atormentes com as necessidades do serviço.
É natural que não possas assistir pessoalmente a todos, ao mesmo tempo. [...] – Poderás resolver o problema escrevendo a todos os irmãos em meu nome [...]. (8) Há muita orientação e aprendizagem na obra e vale o destaque para o roteiro continuado: As assembléias eram dominadas por ascendentes profundos do amor espiritual. A solidariedade estabelecera-se com fundamentos divinos. [...]
A união de pensamentos em torno de um só objetivo dava ensejo a formosas manifestações de espiritualidade. (9) Em outra obra, o autor espiritual esclarece um episódio curioso que o vincula ao apóstolo dos gentios, e a nosso ver, a toda a sua trajetória espiritual: [...] Conheci-o, em Roma, nos seus dias de trabalho mais rude de provações mais acerbas. Vi-o uma vez unicamente, quando um carro de Estado transportava o senador Públio Lêntulus, ao longo da Porta Ápia, mas foi o bastante para nunca mais esquecê-lo. [...] Trocamos algumas palavras que me deram a conhecer a sua inteireza de caráter e a grandeza de sua fé. O fato ocorria pouco depois da trágica desencarnação de Lívia e eu trazia o espírito atormentado. (10)
Como já destacavam os primeiros comentaristas de Reformador sobre a obra em foco, o romance é muito significativo. A leitura, estudo e reflexão em torno da obra septuagenária é oportuna em nossos dias. Cabem ilações e até algumas analogias com relação a algumas querelas e polêmicas organizacionais, de práticas de mediunidade e de comunicação da atualidade.
A experiência de vida do personagem homenageado na obra magistral é muito rica e valorosa.
A inspiração em Paulo é sempre valorizada por Emmanuel: “O convertido de Damasco foi o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo”, ou ainda: “O Evangelho não nos diz que Paulo de Tarso fazia maravilhas, mas que Deus operava maravilhas extraordinárias por intermédio das mãos dele”.(11)
Fontes: FEB/Reformador
Referências:
(1) BRAGA, Ismael Gomes. Mais um livro para o futuro. In: Reformador, ano 60, n. 5, p. 16(108)-17(109), maio 1942.
(2) DIAS, Alexandre. Paulo e Estêvão, de Emmanuel. In: Reformador, ano 60, n. 7, p. 24(164), jul. 1942.
(3) THIAGO, Arnaldo Claro de S. Paulo e Estêvão. Os mártires da fé. In:
(4) XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 2002. Cap. Breve notícia, p. 7-10.
(5) DIAS, Haroldo Dutra. Cristianismo redivivo: história da era apostólica, a conversão de Saulo. In: Reformador, ano 127, n. 2.160, p. 36(114)-37(115), mar. 2009.
(6) XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 2002. P. 1, cap. 10, p. 212.
7______. ______. Cap. 4.
8______. ______. P. 2, cap. 7, p. 460-461.
9______. ______. P. 2, cap. 4, p. 342.
(10) XAVIER, Francisco C. Pelo Espírito Emmanuel. In: TAVARES, Clóvis. Amor e sabedoria de Emmanuel. São Paulo: Ed. Calvário, 1970. Cap. 1, p. 21-23.
(11) Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 27 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 74, p. 163-164.
Edição de 1942
Veja aqui a capa da obra "Paulo e Estêvão", psicografada por Chico Xavier, editada por Emmanuel, na primeira edição no ano de 1942.
Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Estêvão - Um fadário de agonia e sublime amor)
Fontes: César Perri - GEECX - Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier
"E, sobretudo, Senhor, faze que entendamos a Divina Vontade, a fim de que, aprendendo a servir contigo, saibamos dissolver a sombra de nossa presença na glória de tua luz!"
Emmanuel - "O Espírito da Verdade"- Psicografia de Chico Xavier
RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD
Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Paulo e Estevão - 70 anos do Livro "Paulo e Estevão" psicografia de Chico Xavier/ Emmanuel)
Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Diante da vida com Chico Xavier - Palestra Antônio César Perri de Carvalho)
Emmanuel - "Paulo e Estêvão" Psicografia de Chico Xavier
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