
ESPÍRITOS DIVERSOS
PSICOGRAFIAS DE FRANCISCO CâNDIDO XAVIER
Espíritos Diversos
Vozes do Grande Além
Psicografia de Chico Xavier
Sinopse da obra:
Coletânea de mensagens psicofônicas transmitidas por diversos Espíritos ao médium Chico Xavier, apresentando dez relatos selecionados do livro "Vozes do Grande Além". Histórias que oferecem a possibilidade de estudo e reflexão, além de valer como alimento de otimismo, esclarecimento, incentivo e compreensão às iniciativas humanas no serviço do bem.
Benfeitores espirituais trazem valiosos relatos, advertências e instruções, buscando despertar nosso entendimento quanto ao aproveitamento do tempo de que dispomos para a tarefa intransferível de renovação íntima, durante a experiência na esfera física.
Capítulos da obra:
54
Mediunidade e Espiritismo
No remate das nossas tarefas da noite de 28 de Junho de 1956, nosso núcleo foi honrado com a visita do nosso amigo espiritual Efigênio S. Vítor, que controlou o médium e discorreu brilhantemente sobre Espiritismo e Mediunidade.
Roguemos a bênção de Jesus em nosso favor.
Assuntos existem, no âmbito de nossa construção doutrinária, que nunca serão comentados em excesso.
Reportamo-nos aqui ao tema “Espiritismo e Mediunidade”, para alinhar algumas anotações que consideramos indispensáveis à segurança de nossas diretrizes.
Mediunidade é atributo peculiar ao psiquismo de todas as criaturas.
Espiritismo é um corpo de princípios morais, objetivando a libertarão da alma humana para a Vida Maior.
Médium, em boa sinonímia, segundo cremos, quer dizer “meio”.
Médium, em razão disso, dentro de nossas fileiras, significa intermediário, medianeiro, intérprete.
Médiuns, por isso, existiram em todos os tempos. Na antiguidade remota, eram adivinhos e pitonisas que, frequentemente, pagavam com a vida o conhecimento inabitual de que se faziam portadores.
Na Idade Medieval, eram santos e santas, quando se afinavam à craveira religiosa da época, ou, então, feiticeiros e bruxas, recomendados à. fogueira ou à forca, quando se não ajustavam aos preconceitos do tempo em que nasceram.
Hoje, possuímo-los em todos os tons, em dilatadas expressões polimórficas.
Médiuns psicógrafos, clarividentes, clariaudientes, curadores, poliglotas, psicofônicos, materializadores, intuitivos...
Médiuns de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais...
No próprio Evangelho, em cujas raízes divinas o Espiritismo jaz naturalmente mergulhado, vamos encontrar um perfeito escalonamento de valores, definições e atividades mediúnicas.
Vemos a mediunidade, absolutamente sublimada, em nossa Mãe Santíssima, quando registra a visitarão das entidades angélicas.
Reconhecemos a clariaudiência avançada em José da Galileia, quando recolhe dos mensageiros do Plano Superior comentários e notícias acerca da gloriosa missão de Jesus.
Simão, Pedro era médium da sombra, quando se adaptava à influência perturbadora de que muitas vezes se sentiu objeto, e era médium da luz, quando partilhava a claridade divina em sua vida mental.
O mesmo Simão Pedro, Tiago e João foram médiuns materializadores no Tabor, favorecendo a aparição tangível de grandes instrutores da mais elevada hierarquia.
João, o grande evangelista, foi médium, na mais sublime acepção da palavra, quando anotou as visões do Apocalipse.
Os companheiros do Senhor, na dia inolvidável do Pentecostes, foram médiuns de efeitos físicos, médiuns poliglotas e psicofônicos da mais nobre expressão.
Saulo de Tarso foi notável médium de clarividência e clariaudiência, às portas de Damasco, ao ensejo de seu encontro pessoal com o Divino Mestre.
Todavia, não será lícito esquecer que os possessos, os doentes mentais e os obsidiados de todos os matizes, que enxameavam a estrada do Cristo de Deus, quando de sua passagem direta entre os homens, eram também médiuns.
Precisamos, assim, na atualidade, encarecer a diferença, a fim de que não venhamos a guardar injustificável assombro, diante de fenômenos que não condizem com o imperativo de nossa formação moral.
Médiuns existem, tanto aí quanto aqui, nas esferas de serviço em que nos situamos.
Médiuns permanecem em toda a parte, porque mediunidade é meio de manifestação do Espírito em seus diversos degraus de evolução.
Por esse motivo, o grande problema dos trabalhadores mediúnicos é aquele da sustentação de boas companhias espirituais, em caráter permanente.
Mal se descerram faculdades psíquicas ou percepções mentais um tanto mais avançadas em alguém, corre na direção desse alguém a malta dos desencarnados que não plantaram o bem e que, por isso, não podem recolher o bem, de imediato, nas leiras da vida.
Mal surge um médium promissor e mil ameaças se lhe agigantam no caminho, porque o vampirismo vive atuante, qual gafanhoto faminto devorando a erva tenra.
Eis porque um fulcro de fenômenos medianímicos é motivo para vasta meditação de nossa parte, competindo-nos a obrigação de prestar-lhe incessante socorro, pois, em verdade, são muito raras as criaturas encarnadas ou desencarnadas que logram manter contato permanente com a orientação superior, de vez que, se é fácil acomodar-nos no convívio das Inteligências ambientadas nas zonas inferiores, é muito difícil acompanhar os servos da verdade e do amor que, em procurando a comunhão com o Cristo, se confiam, intrépidos e humildes, ao apostolado da Grande Renúncia.
Imperioso, assim, e que vivamos alertas, sem exigir dos médiuns favores que não nos podem dar e sem conferir-lhes privilégios que não podem receber, garantindo-se, desse modo, a estabilidade e a pureza de nossa Doutrina, porquanto o Espiritismo é como o Sol, que resplende para todos, e a Mediunidade é a ferramenta que cada criatura pode manobrar no campo da vida, na edificação da própria felicidade.
Quantas, porém, se utilizam de semelhante ferramenta para a aquisição de compromissos escusos com a delinquência?!...
Em razão disso, é indispensável compreender que Mediunidade é Mediunidade e Espiritismo é Espiritismo.
Ajustemo-nos, desse modo, aos princípios salvadores de nossa fé! E, na posição de instrumentos do progresso e do bem, com mais ou menos expressão de serviço nas atividades mediúnicas, diretas ou indiretas, conscientes ou inconscientes, procuremos, antes de tudo, a nossa efetiva integração com o Mestre Divino, para que não nos falte ao roteiro a necessária luz.
Efigênio S. Vitor
Capítulos da obra:
56
Palavras de Alerta
Atingíramos a fase final da nossa reunião de 12 de julho de 1956, quando, trazido por nossos Benfeitores, compareceu em nosso recinto o Espírito J. C., que foi festejado e discutido médium de materializações nos arraiais espíritas do Brasil. Usando o canal psicofônico, J. C., recentemente desencarnado, evidenciava grande tortura íntima, ofertando-nos grave advertência, que, sinceramente, nos impele a demorada meditação.
Sou um médium desencarnado, pedindo ajuda para os médiuns que ainda se encontram no corpo físico... um companheiro que baixou, ferido, à retaguarda, rogando socorro para aqueles soldados que ainda perseveram na frente.
Isso, porque a frente vive superlotada de inimigos ferozes... inimigos que são a vaidade e o orgulho, a ignorância e a fragilidade moral, a inconformação e o egoísmo, a rebeldia e a ambição desregrada, a se ocultarem na cidadela de nossa alma, e que, muitas vezes, são reforçadas em seu poder de assalto por nossos próprios amigos, porquanto, a pretexto de afetividade e devoção carinhosa, muitos deles nos comprometem o trabalho e, quase sempre, levianos e infantis, nos conduzem à ruína da sagrada esperança com que nascemos na experiência terrestre.
Sou o companheiro J. C., que muitos de vós conhecestes.
A jornada foi curta, mas acidentada e difícil. E, trazendo comigo os sinais da imensa luta, a se exprimirem por remorsos e lágrima, apelo para vós outros, a fim de que haja em nós todos, médiuns, doutrinadores, tarefeiros e beneficiários da Causa Espírita, uma noção mais avançada de nossas responsabilidades, diante do Cristo, nosso Mestre e Senhor.
Comecei retamente a empreitada, mas era demasiadamente moço e sem qualquer instrução que me acordasse a visão íntima para as consequências que me adviriam do cumprimento feliz ou infeliz das minhas obrigações.
Meus recursos medianímicos eram realmente os da materialização e, com eles, denodados benfeitores das esferas mais elevadas tutelavam-me a existência; entretanto, fugi ao estudo, injustificavelmente entediado das lições alusivas aos meus deveres e minha culpa foi agravada por todos aqueles amigos que, na sede inveterada de fenômenos, me alentavam a ignorância, como se eu não tivesse o compromisso de acender uma luz no coração ara que a romagem fosse menos árdua e o caminho menos espinhoso.
Com semelhante leviandade, surgiram as exigências – exigências altamente remuneradas, não pelo dinheiro fácil, mas pela notoriedade social, pelas relações prestigiosas e por todas as situações que nos estimulam a vaidade – quais se fôssemos donos das riquezas que nos bafejam o espírito, ainda imperfeito, em nome de Nosso Pai.
Em vista disso, mais cedo que eu poderia esperar, multidões da sombra, interessadas no descrédito de nossas atividades, cercaram-nos o roteiro. E, por mais me alertassem os Instrutores que jamais nos abandonam, as grossas filas de quantos me acenavam com a falsa estimação de meu concurso apagavam-me os gritos da consciência, transferindo-me, assim, à condição de joguete dos encarnados e dos desencarnados, menos apto ao convívio das revelações de nossa Doutrina Consoladora, com o que lhe aceitava, sem relutância, as sugestões magnéticas, agindo ao sabor de caprichos inferiores e delinquentes.
Cabe-me afirmar, com todo o amargor da realidade, que, distraído de mim mesmo, apático e semi-inconsciente, prejudiquei o elevado programa de nossos orientadores; contudo, os atenuantes de minha falta revelaram-se aqui, em meu favor, e a Providência Divina amparou o servo que caiu, desastrado, e que somente não desceu mais intensamente ao bojo das sombras, porque, com a bênção de Jesus, me despedi do mundo em extrema pobreza material, deixando a família em proveitosas dificuldades.
Comecei bem, repito, mas a inexperiência incensada fez-me olvidar o estudo edificante, o trabalho espontâneo de socorro aos doentes, e proteção fraterna aos necessitados e desvalidos e, segregado numa elite de criaturas que me desconheciam a gravidade da tarefa, entreguei-me, sem qualquer defensiva, ao domínio das forças que me precipitaram no nevoeiro.
Com o auxílio do Senhor, porém, antes que a delinqüência mais responsável me estigmatizasse o espírito, a mão piedosa da morte física me separou do corpo que eu não soube aproveitar.
É por isso que, em vos visitando, qual soldado em tratamento, rogo para que os médiuns encontrem junto de vossos corações não apenas o testemunho das realidades espirituais, tantas vezes doloroso de dar-se e difícil de ser obtido, pelas deficiência e fraquezas de que somos portadores, mas também a partilha do estudo nobre, da fraternidade viva, do trabalho respeitável e da reta consciência...
Que eles sejam recebidos tais quais são...
Nem anjos, nem demônios.
Nem cobaias, nem criaturas milagreiras.
Guardemo-los por irmãos nossos, carregando consigo as marcas da Humanidade, solicitando redenção e sacrifício, abnegação e sofrimento.
A árvore para produzir com eficiência deve receber adubo no trato do solo em que o Senhor a fez nascer.
O rio para espalhar os benefícios de que é mensageiro, em nome da Natureza Divina, pode ser retificado e auxiliado em seu curso, mas não pode afastar-se do leito básico.
Oxalá possam os médiuns aprender que mais vale ser instrumento das consolações do espírito, na intimidade de um lar, ao aconchego de uma só família, que erigir-se em cartaz da imprensa, submetido a experimentações que, em muitas circunstâncias, acabam em frustração e bancarrota moral.
Saibam todos que mais vale socorrer a chaga de um doente, relegado ao desprezo público, que produzir fenômenos de espetaculares efeitos, cuja fulguração, quase sempre, cega aqueles que os recebem sem o preparo devido.
Ah! Meus amigos, o Espiritismo é o tesouro de luz de que somos, todos nós, quando entre os homens, carregadores responsáveis, para que a Humanidade se redima!...
Lembremo-nos de semelhante verdade, para que todos nós, na doutrinação e na mediunidade, na beneficência e no estudo, estejamos de atalaia contra os desastres do espírito, mantendo-nos no serviço constante da humildade e do amor, de modo a vencermos, enfim, a escabrosa viagem para os montes da Luz.
J. C.
Ver no site a Coleção - A vida no mundo espiritual (Série André Luiz)
Fontes: Canal Espírita Jorge Hessen (Instruções Psicofônicas & Vozes do Grande Além)
Fontes: A Luz na Mente » Revista on line de Artigos Espíritas (Francisco de Paula Cândido ou puramente o "Cândido Xavier de todos os povos")
"Uma mensagem assinada pelo apóstolo Erasto, discípulo de São Paulo, colocada no papel pelo médium D’Ambel naquele ano, alertava para os riscos de uma iminente “guerra surda” no território espírita. Ninguém seria martirizado como nos tempos da Inquisição, mas as torturas físicas seriam substituídas por suplícios morais:
— Levantarão embustes, armarão ciladas, tanto mais perigosas quanto usarão mãos amigas; agirão na sombra e recebereis golpes, sem saber por quem são desferidos, e sereis atingidos em pleno peito por flechas envenenadas da calúnia.
Movidos pelo orgulho e pela vaidade, vaticinava a mensagem, adeptos da doutrina declarariam independência do movimento liderado por Kardec e tentariam seguir caminhos próprios à frente de grupos dissidentes. Pior: guiados pela ganância, alguns deles, os mais ambiciosos, representariam “indignas comédias”, bem-remuneradas por adversários, para desmoralizar o espiritismo.
Para combater todos estes riscos, só restava um caminho: a união.
— Uni-vos para que o inimigo encontre vossas fileiras compactas e cerradas.
A mensagem de Erasto parecia ecoar as preocupações — e interesses — do próprio Kardec:
— A hora é grave e solene. Para trás, então, todas as mesquinhas discussões, todas as perguntas ociosas e todas as vãs pretensões de proeminência e amor-próprio. Ocupai-vos dos grandes interesses."
Só depois de tornar público este recado direto, Kardec decidiu tirar da gaveta outro aviso, assinado pelo mesmo Erasto em sessão particular. Neste texto, o alvo das críticas era bastante evidente: os médiuns orgulhosos, cada vez mais numerosos e mais ávidos por projeção.
— De todos os lados surgem médiuns com supostas missões, chamados, ao que dizem, a tomar em mãos a bandeira do Espiritismo e plantá-la sobre as ruínas do velho mundo, como se nós viéssemos destruir — nós que viemos para construir. Ah, meus amigos, quantas moscas no coche!
Estes médiuns, alertava a mensagem, eram presas fáceis de espíritos perversos, interessados apenas em se divertir ou, pior, em desmoralizar o espiritismo. A um dos intermediários do além, uma dessas entidades teria prometido revelar o segredo da transmutação dos metais e da incubação de diamantes; a outro, passara a fazer profecias, pontuadas por detalhes incríveis, todas desmentidas pelo futuro; a um terceiro, o espírito teria anunciado a revelação de descobertas capazes de levá-lo à fama e à fortuna. Tudo reduzido a nada e, o pior, ao ridículo.
Fontes: Kardec - A Biografia - Marcel Souto Maior
RELAÇÃO DE OBRAS PARA DOWNLOAD
Jorge Hessen - A Estranha Moral (Palestra realizada no C.E. Amor e Caridade na cidade de Aparecida D'Oeste/SP)
Espíritos Diversos - Vozes do Grande Além - Psicografia de Chico Xavier PDF
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